
Durante a pesquisa que originou a publicação, Alonso contou com a ajuda de seus próprios alunos. “Em geral, a obra do escritor tem sido abordada de um ponto de vista mais sociológico do que estético. Estudá-lo a partir de um ângulo mais estético, portanto, foi o motivo central da série de artigos que compõem o livro. Um dos artigos é meu e os demais foram escritos pelos alunos do curso de Letras da Uepa. Antes de ser autor, sou um organizador que também escreveu um artigo”, explica.
DESCONHECIMENTO
Para ele, Dalcídio Jurandir é um escritor injustiçado. “Ele é pouco conhecido fora das fronteiras regionais quando se considera que seu talento pelo menos se iguala ao de José Lins do Rego, Raquel de Queiroz e Graciliano Ramos, para citar apenas alguns autores que são bastante conhecidos no cenário brasileiro”, detalha. “Penso que há uma questão muito relevante que a pesquisa detectou e que até agora foi pouco estudada: diferentemente dos romancistas brasileiros da geração de 30, na qual os romances de Dalcídio tem, pelo menos, um dos pés fincados, não existe na sua leitura do mundo uma perspectiva otimista da superação dos problemas humanos fundada no socialismo. Ao contrário da leitura de Graciliano Ramos, por exemplo, a de Dalcídio não é solene, dramática, digamos, mas bem humorada, irônica até, ou se quisermos, desencantada”, destaca, enaltecendo a grandiosidade do paraense.
COMPARAÇÃO
Se o autor é pouco conhecido no cenário nacional, suas características o tornam comparável a mundialmente célebres romancistas. “Este pormenor o faz diferente dos outros romancistas desta geração, ao mesmo tempo em que o aproxima de vários autores europeus que, desde a segunda metade do século XIX e no início do XX, abordam o homem sob este ângulo. É o caso de Flaubert, Machado de Assis, Thomas Mann e Joyce, para citar apenas alguns deles.(Ascom-UEPA)
Fonte: DOL