quinta-feira, 8 de setembro de 2011

COMBATE AO ESCALPELAMENTO


Total apoio ao desenvolvimento do plano de combate a acidente com escalpelamento foi garantido pelo governador do Pará, Simão Jatene, nesta quinta-feira (8), em Belém, após receber o projeto que prevê a criação de uma linha de crédito para ajudar ribeirinhos a modernizar suas embarcações, e assim diminuir os riscos de acidentes com o eixo dos motores – uma situação que ainda aflige muitas pessoas na região. O projeto está sendo desenvolvido pela Defensoria Pública da União.
A defensora pública federal Luciene Strada, que está visitando os Estados da Amazônia para viabilizar apoio ao projeto, explicou ao governador como a linha de crédito pretende combater os acidentes na região. Segundo Luciene, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que pelo menos um milhão de barcos navegam nos rios amazônicos sem registro na Capitania dos Portos.
“Esse crédito de até R$ 40 mil, financiado em até 10 anos, deverá ser disponibilizado para a modernização da frota ribeirinha, com a substituição do motor antigo por um que será fabricado já com o eixo encapsulado, sem ficar à mostra e evitando acidentes, e a instalação de equipamentos de segurança em cada embarcação”, contou a defensora. Ela ressaltou que com a linha de crédito será possível também legalizar todos os ribeirinhos que pilotam embarcações.
Paralelamente ao desenvolvimento da linha de financiamento está sendo articulada com os Estados a realização de um concurso, para estimular o desenvolvimento de soluções mais adequadas à navegação na região, elaboradas pelos próprios habitantes das localidades. “Esse concurso elegeria a melhor solução para as embarcações nos rios da Amazônia. Os modelos, os materiais mais adequados para a fabricação e utilização por parte dos ribeirinhos”, acrescentou a defensora.
Durante a apresentação, Simão Jatene afirmou que o Pará prestará inteiro apoio ao desenvolvimento dos projetos que visam combater os acidentes com motor na região, e elogiou a iniciativa de realizar um concurso para ouvir os ribeirinhos. “É de fundamental importância escutar a população. Eles (ribeirinhos), mais do que ninguém, conhecem a realidade e a natureza da Amazônia. Saberão qual a melhor solução para navegar com mais segurança e conforto por esses rios”, enfatizou o governador.
Jatene garantiu que reunirá as Secretarias Especiais de Produção e de Infraestrutura e Logística para mobilizar a população ribeirinha a participar do projeto, e afirmou que o Estado está disposto a desenvolver políticas públicas para combater esse tipo de acidente nos rios da região.

Mutirão - A Santa Casa de Misericórdia do Pará, desde 2001, é referência estadual no atendimento à população, por meio do Programa de Assistência Integral às Vítimas Escalpeladas (Paives), que visa prestar assistência integral, humanizada e multidisciplinar às vítimas de escalpelamento e a seus acompanhantes. Na quarta-feria (7), o hospital realizou o II Mutirão de Cirurgia Plástica Reparadora, em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), Defensoria Pública da União e Sociedades Brasileira e Paraense de Cirurgia Plástica, mobilizando 15 cirurgiões do Pará e de outros Estados.
Neste segundo mutirão, por meio do processo de Tratamento Fora de Domicílio (TDF), foram beneficiados 13 pacientes com idade entre 9 e 60 anos, oriundos de Belém e de municípios do interior, entre os quais Melgaço, Capanema, Cametá, Abaetetuba, Viseu, Senador José Porfirio. Os procedimentos realizados foram Colocação de Expansor, Reconstituição de Sobrancelhas e Cantoplastia.
Para Luciane Strada, o mutirão de cirurgia plástica mostra a mobilização do Estado para oferecer mais qualidade de vida às vítimas dos acidentes. “É uma parceria entre Governo do Estado, Defensoria Pública da União e Sociedades Brasileira e Paraense de Cirurgia Plástica. Queremos reinserir essas pessoas na sociedade com a autoestima reconstituída”, ressaltou.
No Pará, há registros de mais de 250 vítimas de escalpelamento, no período de 1982 a 2011. Casos que aconteceram na Mesorregião do Marajó, na Região Metropolitana de Belém e nas regiões nordeste e do Baixo Tocantins.

Thiago Melo - Secom (Ag. Pará)

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